passa a ser delicado colocar em palavras de como você se desfez no ar de forma tão abrúpta e no mesmo tempo tão estática, unpoético.
me dói o coração te ver assim, em qualquer lugar, em qualquer esquina tendo como seu casa e companheiro que colhe rastros de passadas como lar, a única coisa que você deixou realmente entrar
você me olha com mil palavras que soam como um nada no escuro, silêncio absoluto
somente troca de olhares que tem como ofício? tudo bem, logo passa.

eu disse pra você que tudo estava bem, vai ficar tudo bem …
mas agora nos deixamos, porque
fomos impulsivamente egoístas a cada minuto, não é?

eu juro que tento pautar e colocar em um pedestal polido minhas vitórias e amores sem sofrer de ”tive em mãos mas não sabia que estava alí até quando eu o perdi” síndrome e dar realmente valor ao que reluz ao invés de se transbordar em deleite com as cores do jardim vizinho

não tínhamos tempo nem espaço para carregarmos nossas bagagens
ficavamos amúidos, em dúvida quando chegava a hora de finalmente contracenar, alí … no momento.
e naquele tempo, era tudo que tínhamos.

rosa
negra
vaidade e contradição

fiz um símbolo terrestre aqui perto, que seria junto ao teu
mas o tempo fez o trabalho de leva-lo embora
longe daqui
e ele fez também o favor de me empurrar pra longe
bem longe
tão quanto teus braços podem alcançar
e eles jamais irão

esse couro arrancado sem nenhum intermedio anestésico me faz sangrar profundamente, mas essa cicatrização é permanente e estonteamente breve

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